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[FP] Clarice G. Süskind, Habilidade.

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[FP] Clarice G. Süskind, Habilidade.

Mensagem por Clarice G. Süskind em Ter Abr 11, 2017 11:56 pm

CLARICE GUTIERRE SÜSKIND
27 ANOS — Domadora de dragão (mediante aprovação) — BRUXO — Eva Green

DADOS IMPORTANTES
Habilidade desejada » Necromancia

Motivo pelo qual deseja a habilidade » Para melhor desenvolvimento e caracterização da personagem. Ter uma habilidade tal qual necromancia permitiria várias interpretações únicas e novas abordagens para uma garota que conviveu tão perto de um ambiente com tortura e morte. Assim como não temer a morte gera uma abordagem psicológica fascinante.
TESTE DE USO DE HABILIDADE
Sua mãe costumava dizer que ela tinha olhos de vidro. Límpidos e claros como o céu em dias ensolarados. Olhos de vidro que observavam tudo com atenção, captando detalhes do mundo ao seu redor. Foram os mesmos olhos que, com seis anos, enxergaram um novo mundo pela primeira vez.

Começou, é claro, com seus sonhos. Figuras sem contorno, deformadas e escuras, sombras que se escondiam dentro da própria cabeça. A pequena Clarie se assustava com elas, perdia as contas de quantas vezes acordava gritando. Sua mãe não sabia o que fazer, seu pai se fechava cada vez que a menina falava das sombras, dos sustos, das vozes.

Ela não sabia se detestava mais dormir ou ficar acordada.

Foi apenas quando Sven a pegou gritando, mordendo os lençóis com tanta força que a sua mandíbula doía, que passou a dividir a cama com ele. Esgueirava-se toda noite, quando seus pais já estavam deitados, estava com quase sete anos e seu irmão a recebia de braços abertos.

Quando seus pais descobriram, não havia nada a ser feito.

Durante o próximo ano, os pesadelos pioraram. Os vultos abandonaram o mundo lúdico e invadiram a realidade. Ela tinha medo de quase tudo, de andar pela casa sozinha, de sair à noite com seus pais. Em todo canto havia sombras e elas sussurravam coisas que Clarice não podia compreender. Até o seu sétimo aniversário a dúvida prosseguiu.

— Nós não podemos continuar escondendo isto deles, Saymon. Está claro que ela tem essa mesma maldição que você. — Clarice ouviu pela porta. O tom exaltado de sua mãe a preocupou.

— Não é uma maldição, Norma. É apenas uma forma diferente de ver o mundo — ralhou Saymon, desesperado.

— Não me importa o que é ou deixa de ser, só me importa que você precisa atravessar aquela porta agora e...

— O que está fazendo ai, Bengel? — A voz de Sven perto de si a assustou e muitas coisas ocorreram ao mesmo tempo.

Ela caiu no chão, fazendo um estrondo. Sven deu alguns passos para trás. A porta se abriu e, de repente, seus pais os encaravam. Clarice esperou a bronca, nervosa. Sabia que não deveria escutar, mas não pode se impedir.

— Nós precisamos conversar, tochter. E é bom que você também escute, Sven. Você precisa cuidar de sua Schwester.

Os quatro conversaram por horas e horas. Seu pai explicando sobre a linhagem e a habilidade que escondera a vida toda. Sobre as sombras e as almas, os espíritos que também invadiam seus sonhos, mas, além disto, preenchiam sua realidade. Clarice escutou, a princípio assustada, depois com atenção. Sua família era especial, uma linhagem nobre e antiga. Bruxos que podiam ver os mortos.

Quando as coisas se tornaram claras, seu medo diminuiu, mesmo que ainda não tivesse se extinguido por completo. Os vultos eram espíritos e ela estava despertando para a Necromancia. Seu pai lhe disse que não era grande coisa ainda, eram apenas sombras, nada com contorno, mas que era um início. Algo que, com o tempo e com alguma sorte, não evoluiria...

Clarice jamais teve sorte. Havia nascido no próprio dia dos mortos. Seu aniversário era sempre comemorado com enfeites do Samhein, o lembrete de que ela nascera perto de quando a barreira entre os dois mundos – de vivos e mortos – se tornava mais tênue.

Assim como seus olhos pareciam janelas para um mundo de mistérios, ela veria mais. Sempre mais.

Pouco depois daquela conversa, os espíritos passaram a atormentá-la cada vez mais. Apareciam com gritos altos, confusos, em línguas desconhecidas. As sombras invadiam seu quarto como pesadelos vivos, sempre a sufocando. A menina alegre fora substituída por um reflexo pálido, magro, com um olhar profundo e sorrisos escassos.

Sven, outra vez, foi sua rocha.

Bengel, faça uma promessa para mim.

— O que quer, engel?

— Você não irá se matar.

— Por que me mataria?

— Quanto mais forte essa coisa na sua cabeça for ficando, mais você vai escutar os mortos. Mamãe diz que você pode terminar perdendo a vontade de viver.

— Primeiro, não é coisa da minha cabeça — disse, com voz firme. — Depois, eu não vou me matar. Eu não quero morrer.

A garota recordaria, anos mais tarde, o peso das próprias palavras.

Seis meses depois, descobriu o sótão de seus pais. Foi culpa dos espíritos, sussurrando pensamentos em sua cabeça. Dizendo que ela precisava ver o que acontecia abaixo da casa, quando ninguém estava prestando atenção. Talvez, se tivessem indicado o caminho antes, para a Clarice um ano mais nova, teriam conseguido fazê-la se chocar.

Mas nada era tão chocante quanto as sombras que tentavam engoli-la. Nem mesmo o sangue e os corpos no porão.

Seus pais lhe fizeram jurar segredo, explicaram que aqueles homens e mulheres eram seres inferiores. Eram trouxas. Criaturas desprezíveis. Seu pai complementou a resposta, falando que os espíritos que a atormentavam desde cedo eram daqueles seres imundos, sem magia nas veias.

Em nenhum momento ela duvidou. Com o tempo, e com as explicações da sua mãe, entendeu que eles estavam libertando aquelas criaturas, para que pudessem viver uma outra vida. Dessa vez com magia. Os espíritos só eram tolos demais para compreender.

Clarice não via motivos para duvidar. Seus pais eram pessoas boas, excelentes bruxos, carinhosos. Se os trouxas, como assim eram chamados os pobres coitados sem magia, eram seres inferiores, era bondoso dar a eles a oportunidade de serem bruxos. Mesmo que para isso fosse preciso algum sofrimento.

Seu pai, entretanto, era mais enfático. Dizia que era culpa dos trouxas eles não poderem usar magia lá fora. E por causa deles o talento que ela e ele compartilhavam era tão mal visto. Os trouxas eram cheios de superstições, de crenças sem sentido. Ovacionavam a morte e a temiam ao mesmo tempo.

Aos seus oito anos eles foram descobertos. O Ministério Alemão invadiu a casa dos Süskind e arrastou seu pai e sua mãe para fora, deixando Clarice e Sven sozinhos. Ela jamais esqueceria das palavras de seu pai na despedida.

— Você me verá outra vez, tochter. Talvez não nesta vida, mas me verá.

Dois anos depois, ele cumpria a promessa.

Os olhos de vidro de Clarice fitavam uma árvore seca, cujas folhas morriam no inverno. Dentre as crianças, ela era sempre a esquisita, até mais que seu irmão, talvez. Mas os dois estavam em um patamar semelhante. A menina de cabelos negros era o anjo silencioso e Sven era o desordeiro, exceto perto da irmã. Os dois orbitavam um ao redor do outro, dividiam a cama como o faziam em casa, trocavam sussurros.

As freiras odiavam tudo aquilo. A proximidade, a garota que mal falava com as outras crianças. Aos poucos, culparam Sven pela menina ser tão fechada.

Naquele dia de inverno, enquanto observava a árvore seca e ouvia a voz de Sven lhe contando sobre alguma coisa – ela não estava prestando tanta atenção quanto gostaria – as sombras começaram a lhe rodear. Primeiro foi um ponto, perto do balanço feito de corda e madeira. Depois, o ponto se alastrou pela árvore, deixando-a enegrecida. A primeira reação da garota foi tentar correr sobre a neve, mas ela tropeçou. Sven a chamava, sua voz era distante. Clarice queria tanto poder abraçá-lo. Queria tanto que seu anjo a tirasse daquela escuridão que a cercava.

Mas ela sabia que não podia fugir. Não para sempre. Não quando as palavras de seu pai soavam como promessas e a sombra a cercava e sufocava cada vez mais.

Conseguiu ficar em pé e correu, mesmo que suas pernas reclamassem de cada passada. As sombras as seguiam por toda a parte, seus olhos lacrimejavam. Tudo doía. E agora as vozes pareciam fazer sentido, repetindo, em coro, a mesma frase.

Não fuja, tochter.

A familiaridade a fazia correr cada vez mais.

Ela não viu quando tropeçou. Tampouco quando seu corpo rolou por um barranco escorregadio. Também não ouviu a voz de Sven a chamando, tão distante que seu mundo de pesadelos parecia mais real que o ao seu redor. Apenas caiu, sabia que abaixo havia um rio de correnteza fraca. Talvez sua superfície estivesse congelada.

Talvez fosse possível fugir.

Mas as sombras a alcançaram e ela gritou.

A fumaça negra tomou forma diante de seus olhos, sua pele formigava, sentia o frio em seu rosto. Como se nunca mais fosse ser feliz outra vez. Como se nunca mais fosse estar viva outra vez.

— Desculpe o susto, tochter. Mas eu disse que a veria.

A voz límpida a fez abrir os olhos, sem lembrar quando os tinha fechado. Provavelmente no mesmo segundo no qual se enroscou ao redor do próprio corpo.

Vater? Onde você está?

As sombras se moveram, erguendo-se como poeira do chão. Misturavam-se à neve, criando uma estranha imagem em preto e branco da figura de seu pai.

— Estou aqui, mas é temporário. Eu e sua mãe morremos, aquele lugar é horrível, tochter. Sua mãe queria vê-la também, mas... — Ele pigarreou, desconfortável. — Meu aviso é breve. Eu apenas vim dizer para você e seu irmão cuidarem um do outro. Não esconda nada dele, vocês são bruxo. Nossa família é símbolo de orgulho e sangue puro. Protejam-se e nos orgulhem...

Ela sentiu que havia mais a ser dito. Mas as sombras voltaram, suas pernas cederam ao peso do próprio corpo e uma mão a puxou. Estava tão frio...

Seus ossos congelavam. Seu corpo inteiro tremia. Braços firmes a envolviam, com tranquilidade e proteção.

— Nunca mais, Bengel — ele disse, entre soluços. — Nunca mais faça isto.

— O-O que a-aconteceu? — gaguejou. Seus lábios trêmulos pareciam incapazes de formar uma frase.

Sven tirou o casaco do próprio corpo e depositou sobre seus ombros.

— Você saiu correndo, Bengel. Eu não pude acompanhá-la. Depois caiu no rio, eu não sei o que teria acontecido caso você...

— Eu não vou morrer, Sven — interrompeu e sua voz soou firme apesar do tremor. — Eu vi nosso pai.

— Como...? Ele está aqui?

— Não, engel. Ele está morto.

Depois daquelas poucas palavras, os dois regressaram ao orfanato. Clarice debatia-se com o frio, mesmo que Sven a tentasse aquecer. Quando chegaram, as freiras ficaram estupefatas pela garota estar completamente encharcada. Os dois irmãos sabiam que ela podia ser penalizada por algo que estava fora de seu controle. Não fora culpa sua os vultos, tampouco a aparição de seu pai. Ela apenas os via, sem controle daquilo ou motivo além da linhagem.

— Fui eu que a convenci — falou Sven. Para sua surpresa. — Eu a convenci a ir comigo até o rio, ela escorregou e caiu. Eu a tirei de lá e a trouxe de volta.

Clarice o encarou com olhos arregalados. Ele acabara de salvar sua pele, tomando toda a culpa para si. Ela sempre teria gratidão por seu anjo, talvez mais que isto. Ela o amava. Sempre amaria.

Naquele instante ela se prometeu que sempre tentaria cumprir os desejos de seu pai.

Sempre estaria com seu irmão, o protegeria e cuidaria dele. Estaria sempre presente.

Mesmo que, no futuro, o destino os separasse.


Clarice Süskind
I was dead when I woke up this morning, I'll be dead before the day is done❄️
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Idade : 28
Localização : França

Registro Bruxo
Casa: Sonserina
Habilidade: Nenhuma
Galeões: 17.300
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Re: [FP] Clarice G. Süskind, Habilidade.

Mensagem por Nerida Vulchanova em Qua Abr 12, 2017 12:25 am

Ficha Aceita


* NERIDA VULCHANOVA *
FUNDADORA DO INSTITUTO DURMSTRANG - STAFF MASTER




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INSTITUTO DURMSTRANG
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